Hormônios e Coração
Partindo da constatação de que os receptores de androgenios distribuem-se amplamente nos tecidos vasculares, Gebara et cols. demonstraram em Efeitos Cardiovasculares da Testosterona (arq. Bras. Cardiol., 2002; 79:644-90) que os hormônios sexuais - principalmente a testosterona - são fundamentais para a saúde do sistema cardiovascular. Entre as muitas evidenciações dos efeitos benéficos da testosterona figuram:
- A diminuição da formação de placas ateroscleróticas na aorta. Esse resultado sugeriu uma ação direta da testosterona no endotélio e em células musculares lisas de vasos, além disso, a vasodilatação, promovida pela testosterona comprovada em pequenas artérias.
- Estudos recentes em humanos, mostraram que a testosterona via endovenosa promovem aumento do fluxo sanguíneo na artéria braquial de pacientes com doença coronariana com baixos níveis de testosterona sérica.
- No estudo, os autores fazem referência a Rosano e cols., apresentaram redução da isquemia ao esforço após administração de testosterona endovenosa em pacientes com doença coronariana e baixos níveis de testosterona.
- Em outro estudo, a administração de testosterona por via transdérmica, por período prolongado (12 semanas), manteve o efeito ant-isquêmico observado nos estados agudos.
- Níveis baixos de testosterona estão associados a alterações desfavoráveis de triglicérides e colesterol HDL, reconhecidos fatores de risco para doenças cardiovasculares ateroscleróticas.
- A terapia de reposição hormonal com andrógenos em idosos mostrou-se benéfica em relação ao metabolismo de lipídeos, devido a diminuição dos níveis de colesterol total e LDL colesterol. Recentemente, um estudo demonstrou aumento dos níveis de HDL colesterol após injeções endovenosa de testosterona em um grupo de pacientes.
- Um possível efeito inibidor da oxidação do LDL colesterol, mediado por dihidropiandrostosterona, também pode representar um papel positivo do andrógeno na prevenção de aterosclerose.
- Há várias evidências que levam a crer que a terapia de reposição androgênica possa ser efetivamente usada em várias condições para promover a saúde e o bem-estar.
- A utilização da terapêutica de reposição androgênica com o potencial de prevenção e tratamento de afecções cardiovasculares está em fase inicial , com estudos mostrando resultados promissores quanto ao metabolismo lipídico e diminuição de isquemia miocárdica.
- Pesquisa feita na Universidade da California em San Diego, com 800 voluntários com idades entre 51 a 90 anos , revelou que após 20 anos de acompanhamento que os homens com baixa testosterona apresentaram risco de morte 33% maior em comparação aos homens com nível normal.
CONCLUSÃO: baixo nível de testosterona é fator de redução na expectativa de vida.